Um dia histórico
Numa sala lotada por representantes de todo o tipo de entidade – jornalistas, radialistas, lésbicas, bancários, metalúrgicos – e outros interessados, o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, respondeu dúvidas, fez brincadeiras, esclareceu planos e não escondeu o tamanho dos desafios de seu Ministério num encontro no sub-solo (sem wi-fi) do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
“Pela primeira vez na história deste país” um Ministro vem de peito aberto dialogar com transparência sobre o que significa mexer no vespeiro que é o monopólio da mídia brasileira. Isto é histórico. Quando no Diretório da Faculdade de Comunicação da UFSM (estamos em 1990!) reivindicávamos que a televisão tivesse conteúdo regional, que as rádios comunitárias fossem reconhecidas, que houvesse um controle público sobre uma mídia cada vez mais privada e patrocinada pela publicidade foi preciso 21 anos para que um Ministro viesse a público dizer das dificultades que será aprovar as mudanças que são necessárias na legisação diante de um Congresso praticamente “refém” da mídia.
Paulo Bernardo lembrou que Serjão, quando foi Ministro das Comunicações de FHC, redigiu um projeto de lei para fazer reformas nas comunicações. Não passou nem da Casa Civil. Nem ao Congresso o projeto foi enviado tamanho o poder do lobby do PIG naquele governo.
Bernardo lembrou que participou da mobilização pelo 1o projeto de iniciativa popular do Brasil (1991) e que este projeto, com muito empenho do governo Lula, conseguiu virar lei apenas em 2005. O Ministro conta que quando ele fala em regular as comunicações – visto que esse é algo previsto na Constituição – os grandes veículos falam que isso é censura, é mordaça, Portanto sabe que a luta vai ser longa e árdua.
Mas foi mais um passo. Importante passo. Vamos em frente.
PS – Quem viu o Ministro na Campus Party e quem viu hoje vê que ele vem aprendendo rápido. E isso é muito bom.

