Empreender é criar o que não existe – Ensina Érico Veríssimo
Érico Veríssimo, em Solo de Clarineta, onde conta suas memórias, descreve sua decisão de tornar-se escritor. Ele tinha 25 anos, já tinha sido apontador de contas, bancário, vendedor, faz-tudo, e sem profissão definida, não via mais perspectivas para ficar em Cruz Alta, sua terra natal. Estava indeciso quanto a seu futuro, mas sabia que algo precisava ser feito.
“Dezembro chegou. Floresceram de novo os jasmins-do-cabo, e um dia resolvi mudar de vida. Tomei a decisão certa manhã, à hora que me barbeava dentro de pequeno espelho partido.
- Resolvi ir a Porto Alegre – disse eu à minha mãe.
- Fazer o quê? – perguntou-me ela, cessando de pedalar por um momento a máquina de costura sobre a qual estava curvada.
- Vou tentar ganhar a vida como escritor – murmurei, apenas semiconvencido de que isso fosse mesmo possível.
D. Bega lançou-me um olhar de alarmada surpresa.
- Escritor? – repetiu.
- Bom… sei que essa profissão ainda não existe no Brasil. Mas que diabo! Não custa tentar. Não tenho a menor vocação para o comércio. Posso arranjar emprego num jornal, traduzir livros, colaborar em revistas…”
Este trecho me parece memorável como exemplo de como uma simples decisão empreendedora pode mudar toda uma vida. Vejam quem foi Érico Veríssimo, um dos maiores escritores do século XX, traduzido em várias línguas e vencedor dos principais prêmios de literatura. Sua obra hoje foi adaptada para a televisão e o cinema. E a decisão singela e temerosa daquele calorento verão de 1930 foi um passo crucial para que seu talento alcançasse a dimensão que alcançou.
Não deixe para amanhã, comece hoje mesmo a fazer aquilo que precisa ser feito.
Dicas culturais para um julho chuvoso em Sampa
Como estes feriados passam rápido… Me esforcei e meio que consegui quase não trabalhar. Mas foram tantas coisas que vapt-vupt.
Ontem pelo menos conseguimos fazer um dia cultural. Muito bacana – com direito a muito do melhor que Sampa oferece neste inverno chuvoso:
- GAINSBOURG - ARTISTA, CANTOR, POETA, ETC. está no SESC da Avenida Paulista. Um monstro, daqueles caras que você sempre ouviu e viu e nem sabia quem era ele.
- GAMEPLAY – Festival de Games do Itaú Cultural, GAMEPLAY foi supreendente a apresentação de Rodrigo Nepomuceno, um mineiro de bom gosto nesta cena muito específica – GameMusic. No MySpace dele tem algo parecido, mas não tão bom quanto ele tocou ontem, mandou muito bem – http://www.myspace.com/chiptots
- E por fim, consegui devorar A descoberta da América pelos turcos
um crônica deliciosa sobre esta miscigenação de culturas que é esse nosso Brasilzão.
Hoje o feriado prolongado se encerra com almoço no restaurante tailandês (indicação do Google). Êta mistureba boa. E amanhã, voltando ao aeroporto após uns 20 dias (quase um recorde)!
Fenômeno Social nos Negócios
Uma das melhor dicas que recebi nos últimos dias foi o livro “Fenômeno Social nos Negócios”, dos analistas da Forrester Charlene Li e Josh Bernoff. A publicação esclarece sobre o fenômeno do “Groudswell”, e mostra que não há muita escolha entre o intervir ou não intervir nas redes sociais – os autores mostram vários casos em que os consumidores assumem o comando sobre as marcas de sua preferência (ou ódio!) – e sobre isso não há como ficar indiferente! Virou leitura indispensável para os dias atuais. E você pode acompanhar o blog dos autores clicando aqui.
Projeto Gutenberg chega a maioridade
O projeto de um visionário, iniciado em 1971, já está na maioridade (sim, já se vão 38 anos!). É o Projeto Gutenberg, que foi iniciado com a digitação e disponibilização de forma “digital” da Declaração da Independência dos Estados Unidos e a ambição de “democratizar” o conhecimento “de domínio público”. Na época, Michael Hart foi chamado de louco (como todo bom visionário). Trabalhando num Mainframe Xerox Sigma V no Laboratório de Pesquisas da Universidade do Illinois ele “enviou” este conteúdo a seus amigos, criando um conceito de distribuição do conhecimento em rede – que em tempos de redes sociais, gadgets e convergência de mídias até parece banal – mas era visão além do alcance. De lá para cá, com o crescimento da Internet, o projeto se ampliou e se modernizou.
Atualmente, o Projeto Gutenberg é financiado por voluntários worldwide e reúne mais de 28 mil títulos, em diferentes idiomas (incluindo o português), tipos de arquivos (é um dos incentivadores e precursores na pesquisa de novos formatos de digitalização de conteúdos) incluindo não só textos simples, como textos formatados e também audio-books (lidos por humanos e também por computadores). Tudo de graça. Vida longa a Gutenberg!
Para entender o inintendível
Spyer é também fotógrafo.
Esta imagem está no seu álbum no Flickr
Upload feito originalmente por spyer
Foi através da rede de amigos que me chegou a notícia que Juliano Spyer está lançando um livro virtual e colaborativo – “Para entender a internet“. São 38 autores, 38 temas, lançamento via Twitter. Fiquei muito feliz em saber da notícia e mais curioso ainda quando li lista de temas e autores. Além da divulgação, minha sugestão a ele é aproveitar, já neste momento de lançamento do livro, é indicar como pensa em manter este time de pensadores conectados (autores e leitores). Afinal, este panorama de hoje é muito bacana, mas por que não buscar aquilo que todos querem – pintar o avião com ele em altitude de cruzeiro – para não só entender a Internet (algo que já não é simples), mas entender também como, todo o dia, o impacto disso tudo pode afetar (melhorar) nossa vida e a de quem ainda não sequer entendeu que isso tudo está acontecendo. Sucesso!
Histórias Inventadas
Em apenas uma página, Maitê Proença se revela uma “filósofa do cotidiano”.
- Corajoso não é o que tem medo, corajoso é quem tem medo e pula. O outro é irresponsável;
- Neste mundo não há saída: há os que assistem, entediados, ao tempo passar pela janela, e há os afoitos, que agarram a vida pelos colarinhos;
- Grandes sofrimentos surtiram por não sabermos conter ímpetos vorazes;
Estes fragmentos são da inicial página 15. Estou gostando da sinceridade e a atualidade dos temas. Está criando um link meio íntimo bem interessante
O livro é “Uma vida inventada – Memórias Trocadas e Outras Histórias”, dela mesma – a atriz que hoje é também cronista e escritora. Recomendo.
ps.: A Foto é bastante recente (30 de agosto), de Alberto Maia, de Goiânia no Evento SPM (Só Para Mulheres) 2008.





